007. Contenha-se

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Em um vilarejo onde a fofoca viajava mais rápido que o vento, havia uma jovem chamada Lina, conhecida por sua sensibilidade. Qualquer comentário, um olhar mais demorado, ou até mesmo um elogio inesperado, fazia seu rosto se tingir de um tom rosado. Para Lina, enrubescer-se era algumas vezes sinal de vergonha, uma reação automática da alma exposta. No entanto, sua avó, uma mulher de sabedoria peculiar, sempre a alertava com um sorriso: "Cuidado, minha flor. Que seu rosto não se transforme num tomate, senão somente fará parte de uma salada e será comido."

Lina não entendia bem a metáfora. Afinal, o que havia de errado em sentir as emoções? Ela ruborizava quando elogiada por sua costura, quando repreendida por chegar atrasada, e até mesmo quando via o padeiro, por quem nutria uma paixão secreta, sorrir para ela. Sua pele clara parecia um termômetro de suas emoções internas.

No entanto, a advertência da avó começou a fazer sentido quando Lina percebeu que seu excesso de rubor estava, de fato, tornando-a "comível" em outros sentidos. Quando se enrubescia demais por um erro, os colegas de trabalho a viam como frágil e indecisa, e não a levavam a sério em decisões importantes. Quando seu rosto ficava escarlate diante de um elogio, alguns interpretavam como falsidade ou excesso de modéstia, diminuindo seu brilho. E quando o padeiro a via "quase em ponto de salada" ao cruzar com ele, seu rubor era tão intenso que, em vez de atraí-lo, parecia afastá-lo, transformando sua admiração em constrangimento mútuo.

Lina percebeu que o rubor, em sua dose certa, era um charme, um sinal de inocência e autenticidade. Era a cor da humanidade. Mas quando se tornava um "tomate", perdia a sutileza e a nuance, virando algo quase caricato, algo que as pessoas podiam "consumir" para se divertir ou para desvalorizar. A vergonha exagerada paralisava, transformava-a em alvo, em vez de protegê-la.

Determinada a controlar essa "safra" exagerada de vermelhidão, Lina começou a treinar sua mente. Não para não sentir, mas para gerenciar a intensidade de suas emoções. Ela aprendeu a respirar fundo antes de reagir, a aceitar os elogios com um sorriso genuíno e a lidar com as críticas com a cabeça erguida, mesmo que sentisse um leve calor subir ao rosto.

Com o tempo, Lina ainda enrubescia. Mas agora, seu rubor era como o desabrochar de uma rosa, suave e discreto. Era a cor da empatia, do afeto e da genuinidade, um sinal de que ela se importava, mas sem se entregar ao ponto de se tornar um "tomate" à mercê dos outros. Ela aprendeu que a vida é uma salada complexa, e que, para fazer parte dela de forma plena, é preciso manter a própria cor e essência, sem se deixar "comer" pela intensidade exagerada das emoções.

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