011. Pratique o Bem

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A escuridão da noite era fria e espessa, engolindo os últimos raios de sol. Ele, cansado, arrastava os pés pela calçada, a cabeça baixa. O dia tinha sido longo, a rotina de trabalho exaustiva e repetitiva. Sem aviso, tropeçou em algo e quase caiu. Era uma figura encolhida, coberta por um manto sujo, imóvel.

Ele hesitou. A voz interior, aquela que o avisava sobre os perigos do mundo, dizia para continuar andando. A sua experiência de vida o ensinou que gentileza é uma moeda que nem sempre traz retorno. Quantas vezes já tinha ajudado, para depois ver o esforço jogado fora? Mas havia algo diferente ali. A figura não pedia, não estendia a mão, apenas existia. A quietude era a sua forma de pedir ajuda.

Um impulso o fez parar. Ele tirou do bolso o único pão que tinha, seu jantar. Dividiu-o ao meio e estendeu a outra metade para a figura. A mão que recebeu o pedaço era ossuda, mas o toque foi leve. Não houve agradecimento, nem palavras, apenas um movimento de cabeça quase imperceptível. O outro se levantou, olhou para ele, e por um instante, o brilho nos olhos revelou uma história de dor, e também de uma esperança que estava quase morrendo.

Ele voltou para casa com a barriga vazia, mas a mente cheia. Aquele pequeno ato, que poderia ter sido em vão, plantou uma semente. A semente da dúvida: será que a generosidade só tem valor quando o outro retribui? Ou será que o valor está em quem dá, na capacidade de oferecer algo sem esperar nada em troca?

O tempo passou. As noites frias deram lugar aos dias quentes. A vida seguiu seu curso, e a lembrança daquele encontro foi se perdendo na correria do cotidiano. Até que, uma tarde, ele viu a mesma figura. Mas, desta vez, ela não estava encolhida. O olhar era firme, os ombros eretos. A figura se aproximou dele, e com as duas mãos, ofereceu um pequeno embrulho.

Ele abriu e encontrou um pedaço de pão, igual ao que tinha dado. Mas não era apenas um pão, era o símbolo de uma nova vida.

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