021. Use o Que Tem

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A vila de Bananal Seco, um lugar que antes transbordava bananas e alegria, de repente se viu… bem, seca. Uma praga misteriosa atacou as bananeiras, e a torneira principal da vila (que era só um bambu com um furo) parou de pingar. Em dois dias, os celeiros estavam mais vazios que promessa de político, e o desespero rondava feito pernilongo zumbindo no ouvido. A maioria dos moradores se entregou à lamentação, sentando na praça e choramingando: "Ai, meu Deus, o que será de nós sem nossas bananas diárias e nossa água suada?".

Mas Ele, um sujeito magricela com uma estranha paixão por fungos e insetos, teve uma ideia brilhante. "A verdadeira economia não é sobre ter, mas sobre... não ter nada!" – declarou ele, para a confusão geral. Seu desafio: conseguir se alimentar por um mês sem nenhum suprimento, transformando o desespero em uma hilária aventura gastronômica.

Na manhã seguinte, enquanto a maioria ainda lamentava (alguns até tentavam extrair suco das pedras), Ele partiu para sua "expedição de sobrevivência chique". Sua "moeda" não era dinheiro, mas um conhecimento duvidoso sobre tudo que não era comida. Em vez de procurar pães ou grãos, ele farejava... bem, o cheiro de umidade sob as pedras, onde minúsculos besouros gorduchos faziam sua festa particular. "Proteína pura!", ele sussurrava, enquanto os besouros tentavam desesperadamente correr.

Os dias se transformaram em semanas. Ele não caçava animais grandes, porque eles eram mais espertos que ele. Sua "caça" era mais sutil: pequenos sapos que faziam cara de "não sou comestível!" nos charcos remanescentes, larvas de borboleta que pareciam macarrãozinho, e até mesmo ovos de formiga que ele jurava ter um sabor "cítrico surpreendente". Ele construiu uma "armadilha gourmet" com galhos e cipós para capturar pequenos ratinhos que, segundo ele, eram "mini-javalis de caça".

Para a água, ele não esperava a chuva, porque ela nunca vinha. Ele passava as manhãs lambendo o orvalho das folhas (sim, você leu certo) e depois espremia musgo velho em um coco furado que ele chamava de "purificador de água orgânico". Quando alguém perguntava: "Ele, de onde vem essa água?", ele respondia com um sorriso misterioso: "Segredos do orvalho... e da umidade intrínseca das plantas!"

À medida que os dias se tornavam mais frios, Ele usava sua "resiliência". A fome era uma companheira constante, mas ele a encarava não como uma inimiga, mas como uma piada interna. "Só mais um dia de dieta forçada!", ele pensava, enquanto tentava convencer uma minhoca a se juntar ao seu "banquete".

Quando o trigésimo dia chegou, Ele retornou à vila, magro (ainda mais magro), mas com os olhos brilhando de uma fome insaciável... por atenção. Em sua mochila improvisada, trazia algumas raízes com cheiro de terra molhada, insetos secos que pareciam mini-passas e uma fruta estranha que ninguém conhecia.

Os moradores, que ainda choramingavam, olhavam para ele com uma mistura de espanto e nojo. Ele não havia trazido riquezas materiais, mas uma lição muito mais valiosa: a verdadeira economia não está no que se acumula, mas no que se pode inventar quando você está faminto e desesperado. A economia do vazio não era sobre ter, mas sobre ser capaz de comer qualquer coisa que não te coma primeiro. E isso, Ele provou, era o maior dos talentos... e o mais engraçado.

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