O jardineiro Felício era, digamos, um profissional do "relaxamento". Sua ideia de jardinagem era olhar para as plantas e esperar que elas fizessem todo o trabalho. Se algo não crescia na hora, ele já se irritava e trocava por um vaso de plástico. Para Felício, a paciência era uma virtude para monges budistas, não para quem queria um jardim de capa de revista em cinco minutos.
Um dia, vasculhando um anúncio de jornal (que ele pegou emprestado do vizinho que o usava para enrolar peixe), Felício encontrou um terreno abandonado no bairro Boi Morto. Era um jardim tão esquecido que parecia ter levado um choque de realidade. As plantas estavam mais secas que piada de tio no almoço de domingo, e o mato, bem, o mato tinha até nome. Felício, com seu otimismo de quem acabou de tomar um café forte, pensou: "Perfeito! Ninguém vai me ver se eu for preguiçoso aqui!"
Mas este não era um jardim comum. Era o "Jardim do Tempo Maluco". Felício plantou uma semente de feijão, e em dez minutos, ela cresceu, deu flores, frutos, secou e virou pó. "Ué?", pensou Felício, coçando a cabeça. No dia seguinte, ele plantou uma roseira. Duas horas depois, a roseira tinha crescido, dado uma rosa linda, murchou e, quando ele piscou, virou um cacto.
O tempo no jardim era um show de horrores cronológicos. Se Felício regava uma planta, ela florescia em segundos e depois virava um esqueleto vegetal. Se ele tirava uma erva daninha, ela crescia de novo em três segundos e ainda fazia uma dancinha zombeteira. Certa vez, ele tentou podar uma árvore e, quando virou as costas, ela tinha crescido uns dois metros e estava mais cheia de galhos que cabeça de fofoqueiro.
A paciência de Felício, antes inexistente, começou a ser testada de formas hilárias. Ele passava horas vendo um tomate amadurecer em câmera super-rápida, e depois apodrecer em câmera super-rápida também. Seu cabelo começou a ficar branco em uma parte do jardim e voltava ao normal na outra. Ele jurava que viu uma lagarta virar borboleta, acenar para ele e depois morrer de velhice em menos de um minuto.
As plantas do jardim tinham suas próprias personalidades. As orquídeas mudavam de cor a cada segundo, as margaridas rodopiavam e as árvores falavam com a brisa (ou era só o vento, Felício nunca soube). A cada novo ciclo de vida e morte instantânea, ele ria de nervoso. "Parece que a natureza está me trollando!", ele resmungava, enquanto uma abóbora nascia e explodia de tanto crescer.
O jardim ensinou a Felício a natureza cíclica da vida de um jeito bem peculiar: a rapidez com que tudo podia mudar, do riso ao pranto vegetal. Ele aprendeu que não adiantava ter pressa, pois o jardim tinha seus próprios planos para o tempo.
Quando a vizinhança descobriu o "Jardim do Tempo Maluco", eles vinham em caravana para ver as plantas crescerem e morrerem em tempo recorde. Felício, antes um preguiçoso, virou a atração principal. Ele provou que a verdadeira paciência não está em esperar o tempo passar, mas em rir do tempo quando ele decide fazer palhaçada com suas plantas. E assim, Felício, o jardineiro que só queria um jardim fácil, virou o guardião de um lugar onde a vida era uma comédia em alta velocidade.