Ele observava a corrida frenética do mundo, a busca incessante por mais rapidez, mais dados, mais produção. E via com preocupação um fenômeno emergente: o humano querer ter a velocidade das IAs. As máquinas processavam informações em nanossegundos, multiplicavam tarefas sem falhas, estavam sempre "ligadas" e "disponíveis". Uma eficiência que a natureza humana jamais poderia replicar.
A tentativa de imitar essa velocidade, para ele, era uma armadilha. Pessoas se sobrecarregavam, acumulavam funções, respondiam mensagens a qualquer hora, tentavam fazer mil coisas ao mesmo tempo. A pressão era imensa, e o resultado, muitas vezes, era previsível e doloroso: o indivíduo acaba internado para tratamento de doenças mentais.
Ele via o esgotamento nos olhos, a ansiedade pulsando nas veias, o sono roubado pela mente que não conseguia desligar. A depressão e o pânico se tornavam companheiros constantes, frutos de um corpo e uma mente forçados a operar em um ritmo antinatural. A velocidade das IAs era para as IAs. O cérebro humano, com suas conexões biológicas e sua necessidade de pausa, simplesmente não foi feito para competir em tais termos.
Para ele, a beleza do ser humano estava justamente em sua imperfeição, em sua capacidade de sentir, de sonhar, de se cansar e de precisar de descanso. A criatividade, a intuição, a empatia – qualidades que as IAs ainda não podiam replicar – floresciam no tempo lento da reflexão, no ócio, na desconexão.
A obsessão pela velocidade era uma negação da própria humanidade. Era trocar a profundidade pela superficialidade, a saúde pela performance, a paz interior pelo constante alerta. Ele acreditava que o verdadeiro progresso não estava em acelerar o humano para o ritmo da máquina, mas em redescobrir o valor do tempo humano, em honrar seus próprios limites e em permitir que a mente e o corpo respirassem no seu compasso natural. Só assim se podia evitar a triste Ironia de buscar a velocidade e encontrar a quietude forçada de um hospital.