Ele tinha descoberto a forma mais eficaz e barata de viajar, superando qualquer agência de viagens ou perrengue de aeroporto: o turismo de baixo custo que se fazia na tela da TV, esparramado no sofá. Para ele, era a epítome da conveniência e da perfeição.
Enquanto outros pagavam fortunas, enfrentavam filas e o estresse de voos atrasados, ele, no conforto de seu lar, se dava ao luxo de escolher o melhor. Queria ver as montanhas geladas do Himalaia? Um documentário em HD o levava até lá, sem frio, sem altitude. Desejava um mergulho nos corais da Austrália? Bastava um clique, e a tela o transportava para as águas cristalinas, sem a necessidade de aprender a mergulhar ou se preocupar com tubarões.
A gastronomia? Não havia risco de comida estranha ou intoxicação alimentar. Ele podia "visitar" os restaurantes mais estrelados do mundo em programas culinários e depois, com a maior tranquilidade, preparar seu próprio sanduíche na cozinha. As paisagens eram sempre perfeitas, o clima ideal e a companhia, a melhor possível: a sua própria.
Ele ria dos amigos que voltavam de viagens caríssimas, exaustos, com histórias de perrengues e gastos exorbitantes. "Ah, mas você não sentiu o cheiro daquele lugar!", eles argumentavam. E ele respondia, com um sorriso irônico: "E você sentiu o cheiro do meu cartão de crédito ao final da viagem? O meu sofá não me cobra nada por essa paisagem perfeita."
Para ele, o turismo de poltrona era a evolução da viagem, a forma mais inteligente de explorar o mundo sem os seus incômodos. Era a certeza de sempre escolher o melhor, sem imprevistos, sem perdas, sem arrependimentos. Uma verdadeira obra-prima da comodidade moderna.