060. Tenha Bom Senso

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Ele sempre repetiu uma frase que, de tão simples, parecia óbvia, mas que ele via ser desrespeitada a todo instante: "Quando um quer, dois não brigam." Para ele, essa era a essência da harmonia em qualquer relação, seja ela pessoal, profissional ou até mesmo entre nações. A briga, o conflito, a discórdia, só floresciam quando havia uma resistência mútua, uma teimosia compartilhada em não ceder.

Ele observava casais que se desentendiam por bobagens. Se um deles tivesse a humildade de dar o primeiro passo para a reconciliação, de ceder um pouco, de ouvir de verdade, a discussão se dissolveria no ar. Mas, muitas vezes, ambos queriam "ganhar" a razão, e a briga se arrastava, desgastando o que havia de bom.

Não se tratava de submissão, ele explicava. Era sobre a força de um espírito pacificador, a inteligência de ver além do momento da raiva. Se um dos lados decidisse genuinamente que não queria o conflito, se estendesse a mão, se oferecesse uma alternativa, ou simplesmente se calasse e esperasse a tempestade passar com serenidade, o outro lado, por mais irado que estivesse, ficaria sem base para sustentar a briga. A energia da discórdia precisava de dois polos opostos para existir.

A pessoa que realmente não queria brigar desarmava o ambiente. Ela não revidava provocações, não entrava no jogo das ofensas, e oferecia um terreno diferente, o da paz. E a briga, sem combustível, sem um "adversário" ativo, simplesmente morria.

Para ele, era uma lição valiosa sobre o poder individual de escolha. A gente nem sempre podia controlar o que o outro fazia ou dizia, mas podia controlar a própria reação. E nessa escolha residia a capacidade de romper o ciclo do conflito. A briga era um tango que precisava de dois; se um se recusasse a dançar, a melodia desafinada logo cessaria.

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