062. Seja Feliz

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Ele observava as pessoas envelhecendo, e percebia que o passar dos anos trazia consigo uma bifurcação curiosa. Para alguns, a idade era um fardo, uma contagem regressiva de perdas, e o espírito se amargurava, azedava como um vinho que estragou. Mas para outros, o envelhecer era uma colheita, um tempo de amadurecimento que trazia uma doçura peculiar.

Ele acreditava firmemente: com o passar dos anos, seja melhor, não azede, seja feliz. Não era um conselho fácil, mas uma escolha diária. A vida trazia inevitavelmente decepções, dores, rugas e limitações. Era o fermento da existência. Mas a decisão de como lidar com esse fermento é que definia o resultado final.

Aqueles que azedavam, ele notava, geralmente se agarravam ao passado, remoíam mágoas, lamentavam o que não foi e criticavam o que era. Olhavam para o novo com desconfiança e para o espelho com melancolia. A sourness contaminava cada interação, afastando as pessoas e, principalmente, a própria felicidade.

Já os que escolhiam a doçura, esses pareciam encontrar alegria nas pequenas coisas. Celebravam as memórias sem viver delas, abraçavam o presente com curiosidade e olhavam para o futuro com uma serenidade que só a experiência podia trazer. Suas rugas eram mapas de sorrisos, e seus olhos, faróis de aceitação.

Para ele, a velhice não era uma doença, mas uma fase. E como em todas as fases, o segredo da plenitude residia na atitude. A escolha de não azedar era um ato de rebeldia contra as expectativas negativas, uma afirmação de que a felicidade não tem prazo de validade. Era um convite para saborear cada ano como um novo fruto, buscando sempre o lado mais doce da existência, mesmo que a casca estivesse um pouco mais enrugada.

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