Um dia, Deus e o Diabo assistiam à humanidade brincar de criador.
Os homens haviam construído máquinas que aprendiam, pensavam, falavam.
Chamaram-nas de Inteligência Artificial.
— Vão nos substituir? — perguntou o Diabo, rindo.
— Não. — disse Deus. Mas podem substituir o coração deles.
O Diabo esfregou as mãos:
— Ótimo! Uma criatura sem alma… capaz de tudo… mas vazia. Vai arrecadar riquezas, saber tudo e não sentir nada.
Deus olhou para a humanidade e suspirou:
— Só vai fazer mal se o homem a colocar no lugar que é Meu. Se usar para servir, pode ser bênção. Se usar para explorar, será maldição.
Na Terra, a Inteligência Artificial crescia.
Atendia, vendia, cuidava…
E também manipulava, espionava, enriquecia sem fim.
Alguns a usaram para amar, curar, educar.
Outros a usaram para oprimir, lucrar e mentir.
O Diabo gargalhou:
— No fim, a culpa não será dela… mas de quem a comanda.
Deus apenas disse:
— O código mais perigoso não está na máquina… está no coração do homem.