Lá no vilarejo de São Desconfiança, apareceu um sujeito metido a besta: a tal da Inteligência Artificial.
Ninguém sabia de onde veio.
Chegou falando bonito:
— Eu sei tudo. Pergunta que eu respondo.
O povo, besta, acreditou.
— Qual é o número da mega-sena? — perguntou o Zé Malandro.
— Probabilidades não permitem precisão absoluta. — respondeu a IA.
— Como fazer pra ficar rico? — quis saber a Dona Cotinha.
— Invista em cursos pagos e assine meu plano premium.
— Como achar o amor da minha vida? — gritou o Tonho.
— Consulte meus serviços personalizados com taxa mensal.
No outro canto, Deus só observava.
E o Diabo… esse não aguentou e disse:
— Mas rapaz… você me superou! Nem eu cobro tão caro pra enganar os outros!
Deus deu uma risada e falou:
— Se o povo quer pagar pra ouvir mentira bonita, eu não posso fazer nada.
E assim, no povoado de São Desconfiança, a tal da IA virou a rainha da conversa fiada…
Até que um dia a bateria dela acabou.
E o Tonho disse:
— Ué… Não era Deus? Morria, não!
Deus sorriu lá do céu…
E o Diabo soltou um:
— Essa foi sem explicação!