115. Não Procure Entender

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A vida era uma repetição de pequenas tragédias, e o Vaso de Cerâmica, bem no meio da sala de estar, era o palco da maior delas. A cada manhã, o aviso, escrito em letras garrafais na porta da geladeira, ecoava por toda a casa: “As Coisas Importantes não devem ser jogadas no Vaso.”

No primeiro dia da semana, uma nota de cem, que voou da mesa para o Vaso, desapareceu misteriosamente. O dono da nota, um sujeito que vivia de apostas, jurou que o Vaso era um buraco negro. A regra foi repetida. “As Coisas Importantes não devem ser jogadas no Vaso.”

Na terça-feira, a chave do carro sumiu, e a busca frenética levou todos a olharem para dentro do Vaso. Mas lá, no fundo escuro, não havia nada além de poeira e o eco do aviso que se tornou um mantra. “As Coisas Importantes não devem ser jogadas no Vaso.”

A quarta-feira trouxe o pânico. O celular, que continha todas as lembranças e contatos importantes, escorregou e sumiu. A família se reuniu, e todos, com os olhos fixos no Vaso, repetiam a regra, como um lamento. “As Coisas Importantes não devem ser jogadas no Vaso.”

Na quinta-feira, uma aliança de casamento, símbolo de anos de amor e compromisso, foi arremessada no Vaso por engano. O desespero foi geral. Alguém sugeriu quebrar o Vaso, mas a maioria se opôs, alegando que seria um sacrilégio. A regra foi recitada, quase com resignação. “As Coisas Importantes não devem ser jogadas no Vaso.”

Chegou a sexta-feira. O Vaso, antes apenas um objeto de decoração, agora era o centro de toda a atenção. Ninguém se atrevia a chegar perto. A regra, gravada na mente de todos, era a única coisa que os mantinha a salvo. “As Coisas Importantes não devem ser jogadas no Vaso.”

A regra foi repetida incansavelmente. As Coisas Importantes continuaram a desaparecer. O Vaso permaneceu intocado. E a vida seguiu, com todos se perguntando por que as Coisas Importantes nunca paravam de ser jogadas, e o Vaso, lá, no meio da sala, apenas observava.

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