124. Seja Honesto

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Era uma vez um ser que acreditava piamente que o mundo era um tabuleiro e ele, claro, o único jogador com as regras no bolso. Vivia de jeitinhos, atalhos e sorrisos que prometiam mais do que entregavam. Se havia fila, ele furava. Se havia promoção, ele levava três sem pagar por nenhuma. Se havia confiança, ele usava como escada.

Um dia, ao caminhar por uma feira onde tudo parecia barato demais para ser verdade, encontrou uma banca que vendia “Sorte em Pó”. O vendedor, com um olhar que misturava mistério e matemática, explicou:

— Uma pitada disso e você sempre sairá ganhando.

O ser, claro, comprou o pote inteiro. Pagou com uma nota falsa, achando que tinha vencido mais uma vez.

Naquela semana, tudo parecia mágico. Ganhava rifas que nem lembrava de ter entrado, achava dinheiro no chão, escapava de multas com um espirro bem cronometrado. Era o rei do universo.

Até que, numa manhã, acordou com o pote vazio e a carteira também. A casa? Vendida por engano num jogo de cartas que ele achava estar ganhando. O carro? Trocado por um “tapete voador” que só voava na imaginação do vendedor. E o sorriso? Virou careta.

Desesperado, voltou à feira. A banca havia sumido. No lugar, um cartaz dizia: 

“Quem quer sempre levar vantagem em tudo, sempre encontra quem leva mais. Obrigado pela contribuição.”

Desde então, o ser anda por aí, ensinando aos outros que o mundo não é um tabuleiro — é um jogo de espelhos. E quem trapaceia, cedo ou tarde, se vê trapaceado por si mesmo.

🃏 Moral da história: o malandro esperto é só treino para o mestre do truque.

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