135. Autenticidade

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Num vale escondido entre montanhas tortas e rios que não sabiam seguir em linha reta, vivia uma tartaruga chamada Luma. Ela não era como as outras: sua carapaça tinha rachaduras, suas patas eram desiguais, e seu olhar sempre parecia perdido em pensamentos que ninguém compreendia.

Os outros animais do bosque evitavam Luma. “Ela anda estranho”, diziam. “Fala coisas que não fazem sentido.” Mas Luma não se ofendia. Ela colecionava silêncios e observava o mundo com uma paciência que assustava os apressados.

Um dia, chegou ao vale um pavão chamado Narcísio. Suas penas eram perfeitas, seu andar era elegante, e ele carregava um espelho mágico que refletia apenas o que era belo. Todos os animais se encantaram com Narcísio e seu espelho. Todos, menos Luma.

Curiosa, ela se aproximou do pavão e pediu para ver seu reflexo. Narcísio riu:

— “Você não vai gostar do que verá. Esse espelho não foi feito para imperfeições.”

Mesmo assim, Luma olhou. E o espelho... quebrou.

Um silêncio caiu sobre o bosque. Narcísio ficou furioso.

— “Você destruiu a beleza!”

Mas Luma, com voz calma, respondeu:

— “Não. Eu revelei a verdade. A beleza que não suporta a imperfeição é frágil demais para ser real.”

Confusos, os animais começaram a olhar para Luma com outros olhos. Suas rachaduras contavam histórias. Suas palavras, antes incompreendidas, agora pareciam sementes que germinavam devagar.

Com o tempo, perceberam que Luma não era lenta — ela apenas não corria atrás do que não fazia sentido. E que sua estranheza era sabedoria disfarçada.

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