Era uma vez um galo que acordava todo mundo com seu canto. Mas um dia, ele olhou para o céu e pensou:
“Cantar é legal, mas eu queria mesmo era trabalhar num escritório. Ar-condicionado, cafezinho, cadeira giratória... isso sim é vida!”
Então, ele se arrumou: colocou uma gravata feita de palha, pegou uma pasta de papelão e foi bater na porta do prédio mais alto da cidade.
Lá dentro, o segurança olhou e disse:
— Você é um galo. Não pode trabalhar aqui.
E o galo respondeu:
— Mas eu sou pontual, acordo cedo e sei fazer barulho. Isso não é tudo que um chefe quer?
O segurança coçou a cabeça, achando que fazia sentido. Chamaram o gerente. O gerente riu, mas como era segunda-feira e ninguém queria decidir nada, deixaram o galo entrar.
No primeiro dia, ele empolgou: apertou todos os botões do elevador, bicou o teclado, empoleirou-se na impressora. No segundo dia, já estava dando bronca nos funcionários atrasados. No terceiro, virou chefe.
Mas aí veio o problema: ele começou a cantar às da manhã no escritório. Ninguém aguentava mais. Reunião com canto de galo? Relatório com penas? Não dava.
No fim, o galo foi promovido a “Consultor de Motivação Matinal” e voltou pra fazenda, onde podia cantar à vontade e ainda dava palestras sobre “Como ser chefe sem perder o bico”.