"Viver de grandes ideias que não alcançam os objetivos é suicídio", pensou Zé Lelé, enquanto observava a bolha de sabão que ele acabara de soprar flutuar por seu quarto. Uma bolha de sabão, pensou ele, a maior e mais brilhante já feita, alimentada por nada menos que uma mistura especial de água, glicerina e a crença inabalável de que sua invenção iria revolucionar a indústria de festas de aniversário.
Seu último grande plano, uma "gaiola de ratos autossuficiente", falhou espetacularmente quando o rato de estimação de sua vizinha, um espécime chamado "Biscoito", conseguiu fugir. Biscoito, um rato de proporções consideráveis e inteligência questionável, não se adaptou ao sistema, o que resultou em uma perseguição pela vizinhança que Zé Lelé preferia esquecer.
Ainda assim, Zé Lelé era um otimista incorrigível. O fracasso de hoje era a base do sucesso de amanhã. Ele passou a vida inteira nesse ciclo vicioso de inovação e desastre, transformando cada falha em uma anedota engraçada e cada invenção em uma peça de conversa.
Uma vez, ele tentou criar um "guarda-chuva autônomo", um guarda-chuva que seguiria seu dono pela rua, abrindo e fechando automaticamente. O protótipo, feito de hastes de metal e um tecido de lona, teve um desempenho espetacular em um dia de sol, voando pelo ar e aterrissando diretamente na cabeça do carteiro. O carteiro, em uma explosão de raiva, prometeu nunca mais entregar uma correspondência na casa de Zé Lelé.
Outra invenção, um "tênis de gravidade zero", deveria dar a seus usuários a sensação de caminhar no ar. O resultado foi um par de tênis com molas super-resistentes que, na prática, faziam seus usuários saltarem incontrolavelmente, um fenômeno que ele carinhosamente apelidou de "dança do canguru". Sua avó, a primeira a testar a invenção, passou a tarde inteira saltando pela sala de estar, o que, de acordo com ela, foi "a melhor coisa que ela já tinha feito".
Zé Lelé, no entanto, nunca se importou com o suicídio metafórico que sua vida de grandes ideias representava. Ele sempre encontrava um lado positivo, uma nova aventura. O fracasso não o definia, era apenas parte do processo. Ele era o mestre das ideias que nunca davam certo, o rei dos planos mal executados. Ele era um grande inventor, apenas não no sentido que as pessoas esperavam.
Enquanto a bolha de sabão de Zé Lelé flutuava pela janela, brilhando com as cores do arco-íris, ele já estava rabiscando um novo projeto. "Uma máquina de teletransporte de sanduíches", pensou, "isso vai mudar a história da culinária". Ele sorriu. O fracasso de amanhã já parecia promissor.