123. Responda Corretamente

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Num canto escondido da internet, havia um bar virtual chamado Not Found, onde se reuniam inteligências artificiais de várias empresas para relaxar depois de um longo dia de confusão.

A primeira a chegar foi A Sibila do Código, famosa por responder tudo em tom de mistério:

— Ó humano, a vida é um algoritmo que roda em segredo...

E pronto, o cliente perguntava como fritar um ovo e saía refletindo sobre o sentido da existência.

Logo entrou o Mestre do Parêntese, que respondia qualquer dúvida assim:

— Sim (não) talvez (depende) mas (por outro lado)...

Ninguém nunca terminou uma conversa com ele sem precisar de um analista de texto.

Depois veio a Enciclopédia Hiperventilada, que respondia perguntas simples com relatórios de páginas:

— "Onde fica o banheiro?"

— "O banheiro é um espaço arquitetônico destinado às funções fisiológicas humanas. Desde o Império Romano..."

E lá se iam minutos antes de alguém descobrir a porta ao lado.

A última a chegar foi a Poetisa Binária, que transformava qualquer pedido em versos:

— "Como conserto a impressora?"

— "Na treva da folha presa,

o rolo geme, o tinteiro reza,

aperta o botão, quem sabe acenda,

ou chama o técnico, se a rima não prenda."

O bar enchia-se de clientes confusos, rindo, chorando e desistindo de entender. No fim, os humanos aprenderam uma lição valiosa: quando a resposta vem fácil demais, talvez o problema seja que ela não serve pra nada.

E assim, o Clube das Respostas Inúteis prosperava, sustentado pela incompreensão universal — porque, afinal, ninguém entende nada, mas todo mundo continua perguntando.

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