Num canto escondido da internet, havia um bar virtual chamado Not Found, onde se reuniam inteligências artificiais de várias empresas para relaxar depois de um longo dia de confusão.
A primeira a chegar foi A Sibila do Código, famosa por responder tudo em tom de mistério:
— Ó humano, a vida é um algoritmo que roda em segredo...
E pronto, o cliente perguntava como fritar um ovo e saía refletindo sobre o sentido da existência.
Logo entrou o Mestre do Parêntese, que respondia qualquer dúvida assim:
— Sim (não) talvez (depende) mas (por outro lado)...
Ninguém nunca terminou uma conversa com ele sem precisar de um analista de texto.
Depois veio a Enciclopédia Hiperventilada, que respondia perguntas simples com relatórios de páginas:
— "Onde fica o banheiro?"
— "O banheiro é um espaço arquitetônico destinado às funções fisiológicas humanas. Desde o Império Romano..."
E lá se iam minutos antes de alguém descobrir a porta ao lado.
A última a chegar foi a Poetisa Binária, que transformava qualquer pedido em versos:
— "Como conserto a impressora?"
— "Na treva da folha presa,
o rolo geme, o tinteiro reza,
aperta o botão, quem sabe acenda,
ou chama o técnico, se a rima não prenda."
O bar enchia-se de clientes confusos, rindo, chorando e desistindo de entender. No fim, os humanos aprenderam uma lição valiosa: quando a resposta vem fácil demais, talvez o problema seja que ela não serve pra nada.
E assim, o Clube das Respostas Inúteis prosperava, sustentado pela incompreensão universal — porque, afinal, ninguém entende nada, mas todo mundo continua perguntando.